Resultados da segunda fase do Inquérito Serológico COVID-19 mostram aumento da imunidade contra a COVID-19 em Portugal

17-05-2021

O aumento da imunidade contra a COVID-19 na população residente em Portugal, devido ao crescimento da incidência de COVID-19 observado desde outubro de 2020, é uma das principais conclusões do relatório de apresentação dos resultados da segunda fase do Inquérito Serológico COVID-19 (ISN COVID-19), hoje divulgado. Ainda assim, deve ser prestada particular atenção aos grupos etários e regiões menos afetadas pela epidemia e por isso com menores níveis de seroprevalência adquirida na sequência de uma infeção anterior.

Em relação à primeira fase do ISN-COVID-19 (maio-julho 2020), destaca-se também a menor diferença entre a seroprevalência estimada e a incidência de COVID-19, o que indica um aumento da capacidade de diagnóstico de COVID-19 no país, com consequente decréscimo da fração de infeções não diagnosticadas, estando estes resultados em concordância com o progressivo aumento de testagem observado em Portugal nos últimos meses.

De acordo com os resultados da segunda fase do ISN COVID-19, as regiões do Algarve (7,7 %), Madeira (6,2 %) e Açores (5,8 %) e o grupo etário 70-79 (8,9 %) são as regiões e o grupo etário onde se encontraram as menores prevalências de anticorpos específicos contra-SARS-CoV-2. O maior número de pessoas suscetíveis nestes grupos, contribuí para que possam ter um maior risco de infeção, sendo por isso grupos aos quais deve ser prestada especial atenção na implementação do Plano de Vacinação contra a COVID-19. As regiões Norte (16,6%), Centro (15,7%), Lisboa e Vale do Tejo (16,5%) e Alentejo (15,9%) foram aquelas onde se observou maiores prevalências, sendo a seroprevalência nacional de 15,5%.

Os resultados agora apresentados indicam também a existência de uma elevada proporção de pessoas com anticorpos específicos para o SARS-CoV-2 (98,5 %) e com elevadas concentrações de anticorpos (média geométrica: 8.561 UA/ml) após a segunda dose da vacina, esperando-se um aumento da imunidade à medida que se for concretizando o Plano de Vacinação, que deve ser complementado com as medidas de proteção individual e coletivas recomendadas pelas Autoridades de Saúde, dadas as atuais lacunas no conhecimento sobre duração da proteção pós vacinação.

Observou-se ainda uma menor seroprevalência e menor concentração de anticorpos três meses após infeção ou contato com caso suspeito ou confirmado de COVID-19, o que sugere a possibilidade de decaimento de anticorpos ao longo do tempo, cujo efeito na duração da proteção contra a infeção deve ser avaliado em estudos específicos. Esta hipótese justifica a atual opção de vacinar as pessoas previamente infetadas por SARS-CoV-2, apesar desta diminuição e mesmo ausência de anticorpos detetáveis poderem não corresponder a uma total ausência de proteção, dado o papel da memória imunitária e da manutenção de mecanismos de imunidade celular.

Outro dos resultados da segunda fase do ISN COVID-19 sublinha que o risco de infeção por SARS-CoV-2 na população com idade inferior a 20 anos não parece ser inferior ao da população adulta, tendo em conta a ausência de diferenças na seroprevalência contra SARS-CoV-2 entre crianças, jovens e jovens adultos. A diferença entre a seroprevalência estimada e a incidência de COVID-19 notificada pode justificar-se pelo facto de nestas idades a apresentação clínica de COVID-19 poder ser mais ligeira ou a infeção mais frequentemente assintomática do que na população adulta, o que foi também encontrado neste estudo.

Desenvolvido e coordenado pelos departamentos de Epidemiologia e de Doenças Infeciosas do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), em parceria com a Associação Nacional de Laboratórios Clínicos, Associação Portuguesa de Analistas Clínicos e com 33 Unidades do Serviço Nacional de Saúde, a segunda fase do ISN COVID-19 analisou uma amostra de 8.463 pessoas residentes em Portugal, recrutadas entre 1 de fevereiro e 31 de março de 2021.

Este estudo permitiu dar continuidade ao primeiro ISN COVID-19 realizado entre maio e julho de 2020 e que estimou uma seroprevalência global de 2,9% de infeção pelo novo coronavírus na população residente em Portugal, não tendo sido encontradas diferenças significativas entre regiões e grupos etários. O relatório de apresentação dos resultados da segunda fase do ISN COVID-19 pode ser consultado aqui.

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