Relatório de situação sobre diversidade genética do novo coronavírus SARS-CoV-2 em Portugal – 30-05-2023

30-05-2023

O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), através do Núcleo de Genómica e Bioinformática do seu Departamento de Doenças Infeciosas, disponibiliza o mais recente relatório de situação sobre a diversidade genética do SARS-CoV-2 em Portugal. Até à data, foram analisadas 47.068 sequências do genoma do novo coronavírus, obtidas de amostras colhidas em mais de 100 laboratórios, hospitais e instituições, representando 307 concelhos de Portugal.

Segundo o relatório do INSA, destaca-se o marcado aumento de circulação da sublinhagem recombinante XBB (e suas descendentes) desde a semana 1 de 2023, a qual se tornou dominante em Portugal na semana 10 (6 a 12 de março). Na última amostragem, registou uma frequência relativa de 92,8% (semanas 19 e 20), maioritariamente devido às suas sublinhagens XBB.1.5, XBB.1.9 e XBB.1.16 (e suas descendentes). Em particular, a linhagem XBB.1.16 tem suscitado interesse pela sua expansão recente em alguns países, atingindo 6,5% nas últimas duas semanas.

A linhagem BA.5 da variante Omicron (incluindo as suas múltiplas sublinhagens) foi dominante em Portugal entre a semana 19 de 2022 (9 a 15 de maio) e a semana 7 de 2023 (13 a 19 de fevereiro), sendo que, a partir da semana 44 de 2022 (31 de outubro a 6 de novembro), a sua intensa circulação foi devida sobretudo à sublinhagem BQ.1 (e suas descendentes). Nas últimas semanas, a sua frequência tem sido residual, tendo atingindo 2% entre as semanas 19 e 20 de 2023 (8 a 21 de maio), de acordo com a mais recente amostragem aleatória por sequenciação.

Por outro lado, a linhagem BA.2 da variante Omicron, dominante em Portugal entre as semanas 8 (21 a 27 de fevereiro) e 19 (9 a 15 de maio) de 2022, registou um aumento de frequência entre as semanas 51 de 2022 e 3 de 2023, sobretudo devido à circulação da linhagem CH.1.1 (e suas sublinhagens). Desde esse período, a frequência relativa da linhagem BA.2 tem vindo a diminuir, registando 4,6% entre as semanas 19 e 20.

Desde abril de 2020, o INSA tem vindo a desenvolver o “Estudo da diversidade genética do novo coronavírus SARS-CoV-2 (COVID-19) em Portugal”, com o objetivo principal de determinar os perfis mutacionais do SARS-CoV-2 para identificação e monitorização de cadeias de transmissão do novo coronavírus, bem como identificação de novas introduções do vírus em Portugal. Atualmente, esta monitorização contínua assenta em amostragens semanais de amplitude nacional. Os resultados deste trabalho podem ser consultados aqui.

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