O PAPEL DA A.N.T. NO COMBATE À TUBERCULOSE (INSA, 2012)

23-12-2016

A exposição “O Papel da A.N.T. no Combate à Tuberculose” promovida pelo Museu da Saúde veio juntar-se ao conjunto de iniciativas da Associação Nacional da Tuberculose e das Doenças Respiratórias para a comemoração da Semana da Tuberculose.

Instalada no Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, e patente de 26 de Março a 5 de Abril de 2012, apresentou peças do acervo do Museu da Saúde desenvolvendo um discurso expositivo que pretendeu divulgar o papel da Assistência Nacional aos Tuberculosos no combate à doença.

A exposição explorou três temáticas principais: o papel da A.N.T. no combate à Tuberculose e a sua divulgação à população através de material impresso; o diagnóstico, tratamento e prevenção da doença; e a Cruz Vermelha Portuguesa enquanto instituição que prestou, também, apoio à população no âmbito do tratamento da Tuberculose.

Organizada em cinco núcleos, apresentou uma diversidade de tipologias de objetos dando a conhecer a heterogeneidade do acervo do Museu da Saúde.

O primeiro núcleo foi dedicado à criação da A.N.T. e sua fundadora, Sua Majestade a Rainha D. Amélia, apresentando peças relacionadas com a Rainha, nomeadamente pintura e fotografia, e outras que nos reportam para a fundação da instituição, como o primeiro Livro de Actas da Mesa e da Assembleia Geral da A.N.T. ou objetos que recordam a construção da sua Sede no Cais do Sodré (Lisboa).

Piso 1 – Três primeiros núcleos da exposição

Rainha D. Amélia e Meninos
Ernesto Condeixa, 1900
MS.PNT.00029

Pintura a óleo representando a Rainha D. Amélia (1865-1951), de autoria do pintor Ernesto Ferreira Condeixa, artista que se notabilizou na pintura de cenas históricas e como retratista.

Representa Sua Majestade rodeada de oito crianças, que procuram a proteção da Rainha. Toda a cena remete para a ideia de proteção e de afeto e, simbolicamente, para a importante obra de benemerência que a monarca desenvolveu no que diz respeito à criação e apoio de instituições dedicadas aos cuidados infantis, especialmente no tratamento da Tuberculose.

Delas se destaca a criação da Assistência Nacional aos Tuberculosos (A.N.T.) em 1899, por iniciativa da Rainha D. Amélia, instituição que tinha previsto entre os seus fins estatutários a construção de hospitais marítimos e dispensários para o tratamento das crianças infetadas.

 

 


Livro de Actas da Mesa e da Assembleia Geral da A.N.T.

Livro de Actas que inicia a 11 de Junho de 1899, com a reunião realizada na Sala das Sessões do Conselho de Estado do Ministério do Reino.

A reunião foi presidida pela Rainha D. Amélia, a qual apresentou os intentos da A.N.T., nomeadamente a construção de hospitais marítimos para crianças vítimas de Tuberculose, a criação de sanatórios em clima de montanha e a criação de dispensários nas capitais de distrito para tratamento dos doentes, através de aplicações terapêuticas e de conselhos de higiene.

A exposição continuou com um segundo núcleo dedicado ao culto e devoção, procurando ali salientar a importância da fé na recuperação dos doentes, onde se integram duas peças possivelmente provenientes de capelas de algum dos sanatórios criados pela A.N.T. para o tratamento de doentes.


Santo António de Lisboa
MS.ESC.00002
Crucifixo de assento
MS.RGL.00018
Missal
MS.RGL.00017

Tratando-se de uma iniciativa para divulgação do papel da A.N.T. no combate à Tuberculose, o núcleo seguinte (terceiro núcleo) apresentou diversas tipologias de objetos que se relacionam com o diagnóstico, o tratamento e a recuperação dos doentes, onde se expõem aparelhos médicos, objetos que materializam as preocupações com a higiene e salubridade dos espaços, e ainda um pequeno núcleo de fotografia onde se apresentam o edifício e interiores do Sanatório Popular de Lisboa e doentes em recuperação.



Miscroscópio
E. Leitz, [1890-1900]
MS.EQP.00566
Pneumotórax
FIPEL – Oficinal ElectroMetalúrgicas
MS.EQP.00035
Modelo de Autoclave
Leblanc, Georgi et Cie.
[Final séc.XIX]
MS.EQP.00981
Modelo de chaminé
C. Kite & Co., [1900-1919]
MS.EQP.0017
Escarrador público
MS.EQP.00036

Prato com coroa
Real Fábrica de Sacavém
[1885-190]
MS.EQP.00639
Pratos do I.A.N.T.
Vista Alegre
[1945-1947]
MS.EQP.00640
Pratos do I.A.N.T.
Minchin
[1945-1947]
MS.EQP.00638

 

Inegável no auxílio à população foi o importante papel da Cruz Vermelha Portuguesa, que nesta exposição surgiu num quarto núcleo que apresentou alguns dos livros do registo do movimento da distribuição gratuita de Estreptomicina, primeiro agente específico efetivo no tratamento da Tuberculose.

Foram apresentadas, ainda, seringas e vários exemplares de fardamento, especificamente da Secção Auxiliar, do antigo Corpo Activo, de Enfermeira da CVP e das Unidades de Socorro.

A A.N.T. desde cedo percebeu a importância de informar a população e de divulgar a mensagem de prevenção da doença, desenvolvendo fortes campanhas de sensibilização através de cartazes com imagens apelativas e intuitivas, por isso facilmente descodificáveis pela maioria dos indivíduos.

Os cartazes procuravam, sobretudo, divulgar as campanhas nacionais de profilaxia desenvolvidas pela A.N.T., com especial relevo para as campanhas de vacinação. Outra temática recorrente nos cartazes foi o apelo ao contributo voluntário, através da aquisição do selo antituberculoso.

Foram vários os artistas portugueses que se associaram à A.N.T., desenhando os diversos cartazes emitidos, tendo como ponto comum a presença da Cruz de Lorena, símbolo da “cruzada” contra a Tuberculose adotado a partir da Conferência Internacional da Tuberculose, realizada em Berlim no ano de 1902, por proposta do médico francês Gilbert Sersiron.

 

Caixas de donativos

Caixas de donativos para angariação de verbas para a luta contra a Tuberculose, iniciativa da Assistência Nacional aos Tuberculosos (A.N.T.), instituição fundada pela Rainha D. Amélia em 1899.
  

Conjunto de cartazes da A.N.T       Conjunto de Selos ligados à temática da
Tuberculose, dinamarqueses e portugueses

 

Juntamente com o cartaz, a A.N.T. desenvolveu a tradição de, anualmente, editar um Selo, outro meio de divulgação de mensagens sobre a prevenção e o tratamento da Tuberculose.

Recuando ao início do século XX, um carteiro dinamarquês, Einar Hoelboel, decidiu criar uma vinheta, iniciativa que desenvolveu ao deparar-se com a falta de meio de muitas famílias para tratarem os seus filhos com Tuberculose. Comprada por uma pequena soma, os utilizadores poderiam afixá-la voluntariamente na correspondência, contribuindo para a recolha de fundos.

Assim, pela altura do Natal foi impressa uma vinheta com a esfinge da Rainha da Dinamarca (1904) e o sucesso da ideia permitiu que, no espaço de dois anos, fossem obtidas verbas suficientes para a construção de dois Sanatórios para crianças.

Em Portugal, a tradição do selo antituberculoso como instrumento de sensibilização da população é igualmente centenária. Em 1903, foi mandado emitir um selo privativo da A.N.T., sob desenho de Domingos Alves do Rego. Este selo, com os dizeres Assistência Nacional aos Tuberculosos – Porte Franco e o seu emblema ao centro, permitia à A.N.T. usufruir da dispensa de pagar franquia postal, benesse de que usufruía desde a sua fundação, em 1899.

Todavia, a edição de selos (ou de vinhetas) destinados a obter contribuições voluntárias para a luta contra a Tuberculose só se iniciou, em Portugal, em 1929, sendo a primeira iniciativa da senhora D. Irlinda Rebelo, funcionária da A.N.T., que mandou imprimir 20 000 exemplares de um selo, a expensas suas, o qual se inspirava num quadro do pintor Veronese, representando a Ciência.

Nos últimos anos a mensagem predominante liga-se com a prevenção, não só da Tuberculose como de outras doenças respiratórias.

    
Folheto de divulgação
Autoria: Nuno Almodôvar

Equipa:

Helena Rebelo de Andrade (Coord. Museu da Saúde)
Inês Cavadas de Oliveira (Museóloga)
Nuno Almodôvar (Designer)
Plácido Teixeira (Fotografia)

imagem do post do O PAPEL DA A.N.T. NO COMBATE À TUBERCULOSE (INSA, 2012)