Doença Invasiva Meningocócica em Portugal – Relatório 2003-2020

29-07-2022

O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, através do seu Departamento de Doenças Infeciosas, divulga o relatório da Rede de Laboratórios VigLab-Doença Meningocócica, elaborado pelo seu Laboratório Nacional de Referência de Neisseria meningitidis, em colaboração com a Direção-Geral da Saúde. O documento apresenta os dados da Vigilância Epidemiológica Integrada da Doença Invasiva Meningocócica relativa ao período de 2003 a 2020 e da sua evolução ao longo deste período de 18 anos.

Dos principais resultados e conclusões apresentados no presente relatório, destaca-se o seguinte:

  • No período de 18 anos em análise, em Portugal registaram-se 1665 casos de doença invasiva meningocócica (DIM);
  • Observou-se uma tendência decrescente da incidência da DIM, em linha com a tendência observada na maioria dos países europeus, que em muito se deve às políticas de vacinação implementadas;
  • A incidência global da DIM variou entre 1,99 casos por 100.000 habitantes, em 2003, e 0,39 casos por 100.000 habitantes em 2020. Este decréscimo foi mais acentuado nos grupos etários que registam as taxas de incidência mais elevadas – crianças menores de 12 meses de idade (redução de cerca de 60%) e dos 1-4 anos (redução de cerca de 70%), uma vez que são estas os principais alvos dos programas de vacinação;
  • A DIM por serogrupo B (MenB) foi sempre a mais frequente, representando cerca de 70% dos casos. As estirpes MenB apresentaram uma grande diversidade de genótipos, distribuindo-se em 17 complexos clonais (cc), dos quais os mais frequentes foram os cc hipervirulentos cc ST41/44 (26,8%) e cc ST213 (16,1%). O número de casos de DIM por serogrupo Y (MenY), o segundo mais frequente, teve um pico em 2011, tendo-se mantido estável desde então. No seu conjunto, representam cerca de 5% do total de casos. As estirpes MenY mostraram um carater clonal e hipervirulento, sendo maioritariamente cc ST23. A DIM por serogrupo C diminuiu a partir de 2004 e tornou-se residual a partir de 2007, após a introdução da vacina no Programa Nacional de Vacinação em 2006. Mostraram um caracter clonal e hipervirulento, sendo predominante o cc ST11 (61,1%). A DIM por serogrupo W tem sido residual. A partir de 2017, foram detetadas estirpes hipervirulentas, emergentes da linhagem sul-americana, observando-se um aumento progressivo do número de casos até 2019, do cc11;
  • No período de 18 anos em análise, registaram-se 118 óbitos, correspondendo a uma taxa de letalidade de 7,1% (valor médio), valor próximo do reportado pela maioria dos países europeus, no período entre 2003 e 2018 (9,1%);
  • A vigilância da DIM constitui um enorme desafio face a uma espécie com elevada competência natural de troca de material genético que leva à emergência constante de novas variantes, algumas das quais com elevado potencial epidémico. Os dados da vigilância são uma base importante de apoio à tomada de decisão no controlo da DIM e este relatório evidencia a importância do Sistema de Vigilância Epidemiológica Integrada da Doença Invasiva Meningocócica em Portugal.

Consulte o relatório em acesso aberto aqui.

imagem do post do Doença Invasiva Meningocócica em Portugal – Relatório 2003-2020