Childhood Obesity Surveillance Initiative: COSI Portugal – Relatório 2019

19-10-2021

No âmbito das atividades do sistema de Vigilância Nutricional Infantil COSI Portugal, o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), na sua qualidade de Centro Colaborativo da Organização Mundial da Saúde (OMS)/Europa para a Nutrição e Obesidade Infantil, disponibiliza o Relatório do COSI Portugal 2019. O documento analisa, em detalhe, os resultados da 5ª ronda do COSI Portugal, caracterizando o estado nutricional infantil das crianças portuguesas em idade escolar do 1º Ciclo do Ensino Básico, dos 6 aos 8 anos.

O COSI Portugal está integrado na Childhood Obesity Surveillance Initiative da OMS/Europa e visa produzir dados comparáveis entre países europeus e monitorizar a obesidade infantil a cada 2-3 anos. Em Portugal, o COSI é coordenado cientificamente e conduzido pelo INSA, em articulação com a Direção-Geral da Saúde e implementado a nível regional pelas Administrações Regionais de Saúde, pela Direção Regional de Saúde dos Açores e pelo Instituto de Administração da Saúde e Assuntos Sociais da Madeira, constituindo-se como uma rede sistemática de recolha, análise, interpretação e divulgação de informação descritiva sobre o estado nutricional infantil de crianças dos 6 aos 8 anos.

Dos resultados nacionais da 5ª ronda do COSI Portugal (2019), que decorreu no ano letivo 2018/2019, destaca-se o seguinte:

  • Participação: No ano letivo de 2018/2019, 8.845 crianças das escolas do 1º ciclo do ensino básico português/portuguesas, foram convidadas a participar no estudo, das quais 7.096 foram avaliadas (48,6% raparigas e 51,4% rapazes) nas 228 escolas participantes. Esta amostra é a maior de todas as fases decorridas até ao momento (2008, n=3765; 2010, n=4064; 2013, n=5935; 2016, n=6745);
  • Estado nutricional infantil: Em 2018/2019, a prevalência de baixo peso foi de 1,3%, a prevalência de excesso de peso (pré-obesidade + obesidade) foi de 29,7% e destes 11,9% apresentavam obesidade infantil;
  • Estado nutricional infantil por Região. A Região do Algarve foi a que apresentou menor prevalência de excesso de peso infantil (21,8%) e os Açores a que apresentou a maior prevalência (35,9%). A Região do Alentejo foi a que apresentou menor prevalência de obesidade infantil (9,6%);
  • Taxa de aleitamento materno: em Portugal a taxa de aleitamento materno em 2019 foi de 90,3%. O Algarve foi a região que apresentou a maior taxa de aleitamento materno (92,1%). Pelo contrário, nos Açores observou-se a menor taxa (70,6%);
  • Caraterísticas do ambiente familiar: a hipercolesterolemia foi a doença mais reportada (37,8%), seguindo-se a hipertensão (34,6%) e a diabetes (34,4%); as mães apresentavam uma prevalência de 10,8% de obesidade e 28,7% de pré-obesidade e os pais 14,5% de obesidade e 47,6% de pré-obesidade (auto-reportado);
  • Consumo alimentar infantil: 17,3% da população infantil consumia diariamente mais frequentemente carne do que peixe (9,2%); 46,6% consumia 1 a 3 vezes por semana biscoitos/bolachas doces, bolos e donuts, guloseimas; 71,3% consumia refrigerantes açucarados até 3 vezes por semana;
  • Prática de atividade física e atividades sedentárias: a maioria das crianças (66,5%) ia de automóvel para a escola, considerando a maioria dos pais/encarregados de educação (62,7%) o caminho de ida e de regresso da escola inseguro; durante a semana quase metade das crianças (47,5%) utilizava o computador cerca de 1h por dia, observando-se no fim-de-semana um aumento de horas despendidas para 2h ou mais por dia.

Consulte em acesso aberto Relatório COSI 2019 | Infográfico Obesidade Infantil.

imagem do post do Childhood Obesity Surveillance Initiative: COSI Portugal – Relatório 2019