Artigo: Caracterização da exposição ao tabaco durante a gravidez e da sua influência em indicadores de saúde neonatal

23-06-2022

O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), através do seu Departamento de Saúde Ambiental, foi uma das entidades envolvidas na realização de um estudo de caracterização da exposição ao tabaco durante a gravidez na população portuguesa, que analisou o impacto desta exposição em indicadores de saúde neonatal. Efetuado no âmbito do projeto NeoGene, o trabalho aponta para uma diminuição do peso, tamanho e perímetro cefálico ao nascimento entre os recém-nascidos das participantes fumadoras, valores que aumentam nos casos em que há cessação tabágica durante a gravidez.

O tabagismo e a exposição ao fumo ambiental do tabaco (ou exposição passiva) estão associados a vários efeitos adversos na saúde, particularmente em períodos de maior suscetibilidade como o período pré-natal. Como condição essencial para o delineamento de estratégias mais adequadas e efetivas de promoção de saúde e prevenção de doença associadas, torna-se essencial caracterizar detalhadamente a exposição ao tabaco no início da vida e conhecer a sua influência em diferentes indicadores de saúde neonatal.

Para tal, foi analisada informação individual e clínica de 595 grávidas com mais de 36 semanas de gestação, em consulta no Serviço de Obstetrícia e Ginecologia do Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ), entre abril de 2017 e julho de 2018. Foram também analisados indicadores de saúde neonatais dos respetivos recém-nascidos por consulta dos seus processos clínicos. Os resultados deste estudo mostram uma prevalência do consumo do tabaco de 27,9% antes da gravidez, valor que diminui para 12,9% ao nascimento, como resultado de uma cessação tabágica de 46,4% durante a gestação. Mais de metade das participantes (53,6%) não cessou o consumo de tabaco durante a gravidez.

Relativamente à exposição passiva ao fumo do tabaco, verificou-se que 31,7% das participantes não fumadoras estavam diariamente expostas, durante mais de uma hora, antes da gravidez, e que houve uma diminuição da exposição ao longo da gravidez (26,3% no terceiro trimestre). A análise da associação entre os indicadores de saúde neonatal e os comportamentos tabágicos apontam para uma diminuição do peso, tamanho e perímetro cefálico ao nascimento entre os recém-nascidos das participantes fumadoras, valores que aumentam nos casos em que há cessação tabágica durante a gravidez.

Os autores do estudo, entre os quais se incluem investigadores da Unidade de Investigação em Epidemiologia do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, do Laboratório para a Investigação Integrativa e Translacional em Saúde Populacional, do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar e do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia do CHUSJ, defendem ainda que os fatores socioeconómicos no comportamento tabágico das grávidas e a influência destes comportamentos nos indicadores de saúde neonatal devem ser considerados no desenho e implementação de novas campanhas de sensibilização e intervenções para a cessação tabágica, dado que a gravidez constitui um dos momentos de maior motivação para alteração de comportamentos e adoção de estilos de vida mais saudáveis.

“Caracterização da exposição ao tabaco durante a gravidez e da sua influência em indicadores de saúde neonatal: projeto NeoGene” foi publicado no Boletim Epidemiológico Observações, publicação científica periódica editada pelo INSA em acesso aberto. Para consultar o artigo de Joana Madureira, Ana Inês Silva, Alexandra Camelo, Ana Teresa Reis, Ana Paula Machado, Ana Isabel Ribeiro, João Paulo Teixeira e Carla Costa, clique aqui.

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