VIH e SIDA: Número de novos diagnósticos em Portugal diminui 40% e 60% na última década

27-11-2018

A análise das tendências temporais da epidemia nacional de VIH e SIDA revela que na última década se verificou uma descida de 40% no número de novos diagnósticos de infeção por VIH e de 60% nos novos diagnósticos de SIDA, segundo o mais recente relatório sobre a infeção VIH e SIDA em Portugal elaborado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge. O mesmo documento indica também que, até 30 de junho de 2018, foram notificados 1068 casos em que o diagnóstico de infeção por VIH ocorreu durante o ano 2017, o que corresponde a uma taxa de 10,4 novos casos por 100 mil habitantes.

Embora Portugal continue a apresentar das mais elevadas taxas de novos diagnósticos de infeção por VIH e de incidência de SIDA registadas na União Europeia (UE), essas taxas apresentam tendência decrescente que, em análise comparativa do número de casos com diagnóstico nos anos 2007 e 2016, foi de 40% nos casos de infeção por VIH e de 60% em novos casos de SIDA. Nos casos de infeção por VIH, este decréscimo é, no entanto, mais acentuado nos casos registados no sexo feminino (50%) do que no sexo masculino (35%), observando-se a situação inversa nos casos de SIDA (61% no sexo masculino e 51% no sexo feminino).

“Os dados obtidos para os mesmos anos mostraram que o número de casos de transmissão heterossexual e em utilizadores de drogas injetadas (UDI) sofreu uma redução de, respetivamente, 45% e 90%. Inversamente, observou-se um aumento de 29% no número de casos em casos de homens que fazem sexo com homens (HSH), que desde 2015 são em número mais elevado que os registados relativos a homens heterossexuais”, sublinham os autores do Relatório. Nos últimos cinco anos, constatou-se que nos novos diagnósticos, em homens de idades entre 15 e 29 anos, 79,8% eram HSH.

As tendências recentes revelam ainda um aumento da proporção de casos do sexo masculino, bem como da idade mediana ao diagnóstico, excetuam-se os casos HSH, que ocorrem com maior frequência em jovens. Verifica-se ainda uma elevada percentagem de diagnósticos tardios, particularmente em heterossexuais. “A percentagem de diagnósticos tardios mantém-se superior à observada na UE, com particular relevância nos casos em heterossexuais. Assim, o aumento do número de casos em HSH de idades jovens, bem como a elevada percentagem de diagnósticos tardios, em particular em heterossexuais foram, nos anos mais recentes, as situações mais prementes de intervenção”, destacam os autores.

Em relação aos casos de infeção por VIH diagnosticados em 2017, ocorreram maioritariamente em homens (72%), com uma idade mediana ao diagnóstico de 39 anos, sendo a maior taxa de novos diagnósticos observada no grupo etário 25-29 anos. À data do diagnóstico da infeção, 14,8% dos casos apresentavam patologia indicadora de SIDA e em 51,5% dos novos casos o diagnóstico foi tardio, tendo em conta os valores das contagens iniciais de linfócitos TCD4+, as células alvo do vírus.

De acordo com as notificações recebidas até 30 de junho do corrente ano, encontram-se registados cumulativamente 57.913 casos de infeção por VIH, dos quais 22.102 casos em estádio SIDA, em que o diagnóstico aconteceu entre 1983 e final de 2017. No mesmo período estão registados 14.519 óbitos em casos de infeção por VIH, total acumulado que sofreu um aumento significativo por cumprimento do disposto no Despacho nº 8379/2017 relativo à investigação dos casos de eventual abandono clínico.

Desde 1985, o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge desenvolve atividade na vigilância epidemiológica da infeção por VIH e SIDA, sendo atualmente a entidade responsável pela integração da informação relativa aos casos notificados, através dos sistemas SINAVE e SI.VIDA. Além de registar esta informação na base de dados nacional, o Instituto Ricardo Jorge é ainda responsável pela análise dos dados e a sua posterior divulgação, em articulação com o Programa Nacional para a Infeção VIH e SIDA da Direção-Geral da Saúde.

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