Microbiologia de Alimentos

02-12-2016

A informação analítica gerada pelos laboratórios da área da microbiologia alimentar é base de tomada de decisões com repercussões quer na área da Saúde, quer na da Economia. Se um resultado falso positivo pode originar uma desnecessária eliminação de um produto alimentar, com forte impacto financeiro, um resultado falso negativo pode ter sérias implicações em saúde pública. Adicionalmente, contagens inexatas podem originar uma apreciação errada do alimento, sob o ponto de vista microbiológico, podendo conduzir a posições competitivas desleais. Deste modo, há necessidade de obter dados fiáveis e comparáveis, assim como de transmitir uma informação correta, constituindo a participação em esquemas de Avaliação Externa da Qualidade (AEQ) / Ensaios de aptidão, uma importante ferramenta na sua prossecução.

Os ensaios de aptidão são uma ferramenta imprescindível no Controlo da Qualidade Analítica, na medida em que a avaliação de desempenho fica a cargo de uma entidade independente. A introdução na rotina laboratorial de amostras de conteúdo conhecido do organizador mas não revelado aos participantes é a única forma de deteção de erros sistemáticos através da comparação dos seus resultados com os de outros laboratórios. Trata-se de uma avaliação de desempenho do laboratório participante através de comparações interlaboratoriais face a critérios pré-estabelecidos.

É reconhecida pelas autoridades e comunidade científica internacional a importância dos ensaios interlaboratoriais. A participação nestes ensaios encontra-se ainda reforçada por imperativos legais e normativos, nacionais e internacionais, sendo uma exigência para todos os laboratórios acreditados (NP EN ISO/IEC 17025: 2005), pelo que a existência de um Programa Nacional vem contribuir para o seu cumprimento.

Neste sentido, o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, I.P. (INSA, I.P.), através dos laboratórios de Microbiologia de Alimentos de Lisboa e Porto, implementou, em Setembro de 2001, um Programa Nacional de Avaliação Externa da Qualidade, na área da Microbiologia de Alimentos, inserido num programa a nível mundial que conta com 55 países, coordenado pelo Food and Environment Proficiency Testing Unit (FEPTU) da Public Health England (PHE), de Londres (desde o dia 1 de abril de 2013, a Health Protection Agency – HPA foi integrada na nova organização Public Health England – PHE). Todos os “PHE EQA Schemes” estão acreditados pelo United Kingdom Accreditation Service (UKAS) de acordo com a ISO/IEC 17043: 2010 – Conformity assessment – General requirements for proficiency Testing. Os ensaios interlaboratoriais organizados pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, I.P. são aceites pelo Instituto Português de Acreditação (IPAC).

O Programa Nacional iniciou com 23 laboratórios participantes, contando com a participação de 41  laboratórios no ano 2016/17, públicos e privados, de Saúde Pública, de Controlo Oficial dos géneros alimentícios, da Indústria, de Estabelecimentos de Ensino/Investigação, de Escolas Profissionais e de Prestação de Serviços, provenientes de diversas regiões de Portugal continental e dos arquipélagos dos Açores e da Madeira, assim como de outros países de língua oficial portuguesa.

Esquemas disponíveis:

  • Standard Scheme
    Adequado para a maioria dos laboratórios que efetuam ensaios em géneros alimentícios.
    Esquema com amostras que simulam géneros alimentícios e que engloba ensaios para uma ampla gama de microrganismos patogénicos e indicadores de higiene.
  • Environmental Swab Scheme
    Adequado para laboratórios que efetuam ensaios em esfregaços de superfícies ambientais.
    Esquema com amostras que simulam esfregaços de superfícies ambientais, para contagem de microrganismos indicadores de higiene e pesquisa de patogénicos, tanto a partir de áreas aleatórias, como de áreas delimitadas.
  • Shellfish Scheme
    Adequado para laboratórios que efetuam ensaios em moluscos bivalves vivos e outros produtos do mar provenientes de locais de apanha/cultivo.
    Inclui todos os Laboratórios Nacionais de Referência da União Europeia. Esquema organizado em colaboração com o Departamento do Mar e Recursos Marinhos (DMRM) do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
    Esquema com amostras que simulam moluscos bivalves vivos e outros produtos do mar provenientes de locais de apanha/cultivo de acordo com o Regulamento (CE) N.º 854/2004 e da cadeia de produção entre a apanha e o consumo, de acordo com o Regulamento (CE) N.º 2073/2005, relativo a Critérios Microbiológicos Aplicáveis aos Géneros Alimentícios e subsequentes alterações.
  • Non-Pathogen Scheme
    Adequado para laboratórios que efetuam ensaios em géneros alimentícios para quantificação de indicadores de higiene e de deterioração.
    Esquema com amostras que simulam géneros alimentícios para ensaios de quantificação de indicadores de higiene e de deterioração e estudos de avaliação do prazo de validade. As amostras não contêm microrganismos patogénicos.
  • Non-Pathogen PYM option
    Adequado para laboratórios que efetuam ensaios em géneros alimentícios para quantificação de indicadores de deterioração e/ou que requerem uma gama de parâmetros mais reduzida.
    Esquema com amostras que simulam géneros alimentícios para ensaios de quantificação de indicadores de deterioração mas que permitem a análise de uma gama de parâmetros mais reduzida. As amostras não contêm microrganismos patogénicos.
  • European Food Microbiology Legislation Scheme
    Adequado para laboratórios que efetuam ensaios em  géneros alimentícios de acordo com a legislação europeia especificada no Regulamento (CE) N.º 2073/2005, relativo a Critérios Microbiológicos Aplicáveis aos Géneros Alimentícios e subsequentes alterações, tendo em conta o Regulamento (CE) N.º 852/2004.
    Esquema com amostras destinadas a avaliar a capacidade dos laboratórios para selecionar, efetuar e interpretar ensaios de acordo com os critérios de segurança dos géneros alimentícios e/ou com os critérios de higiene dos processos.
  • Pathogenic Vibrio Scheme
    Adequado para laboratórios que efetuam ensaios em géneros alimentícios  ou em águas para deteção/quantificação de Vibrio spp..
    Esquemas com amostras que simulam géneros alimentícios para ensaios de Vibrio parahaemolyticus , Vibrio vulnificus e Vibrio cholerae (estirpes não-toxigénicas).
  • Staphylococcus aureus Enterotoxin Scheme
    Adequado para laboratórios que efetuam ensaios em géneros alimentícios para deteção / identificação de enterotoxinas de Staphyloccocus aureus em géneros alimentícios.
    Esquema com amostras que simulam géneros alimentícios para pesquisa e identificação de enterotoxinas de Staphyloccocus aureus.
  • Shiga Toxin Escherichia coli (STEC) Scheme
    Adequado para laboratórios que efetuam ensaios em géneros alimentícios para a deteção de Shiga toxin Escherichia coli (STEC).
    Esquema com amostras que simulam géneros alimentícios para pesquisa de Shiga toxin Escherichia coli (STEC). As amostras são preparadas com microrganismos STEC, mortos e, por essa razão, só poderão ser utilizados métodos moleculares.
  • Norovirus and Hepatitis A Virus Scheme
    Desenhado para laboratórios que examinam géneros alimentícios e águas para Vírus da Hepatite A e Norovírus GI e GII, utilizando Reverse-Transcription Polymerase Chain Reaction (RT-PCR).

Documentos para Download:

Reuniões Nacionais:

As reuniões nacionais são uma iniciativa do Programa em Portugal que se concretiza todos os anos, não sendo limitado o número de inscrições por laboratório participante. Estas reuniões são um ponto de encontro dos participantes, contemplando a apresentação e discussão dos resultados globais obtidos no Programa Nacional no contexto mundial.

Numa perspectiva de melhoria contínua, são também apresentados temas diversos das áreas da Qualidade e da Microbiologia Alimentar, por palestrantes convidados bem como por participantes. Neste âmbito são também realizadas sessões de debate, de esclarecimento de dúvidas e troca de experiências e de opiniões.

Habitualmente contam com a presença da Drª Julie Russell do Food and Environment Proficiency Testing Unit (FEPTU) da Health Protection Agency (HPA), de Londres e outros membros da equipe.

Contactos:

  • Cristina Belo Correia
    Tel: 217519351/217519230
    e-mail: Cristina.Belo@insa.min-saude.pt
    Fax: 217526470
  • Isabel Campos Cunha
    Tel: 223401100/31/32/33
    e-mail: Isabel.Cunha@insa.min-saude.pt
    Fax: 223401189