Investigadores do Instituto Ricardo Jorge colaboram em estudo sobre possível associação entre poluição do ar e mortalidade diária

15-11-2019

João Paulo Teixeira e Baltazar Nunes, investigadores dos departamentos de Saúde Ambiental e de Epidemiologia do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, colaboraram num estudo internacional que teve como objetivo investigar a possível associação entre a mortalidade diária (por todas as causas, por doenças do aparelho respiratório e cardiovascular) e a exposição a curto-prazo a partículas inaláveis de diferentes dimensões, através de uma análise epidemiológica e estatística comum aplicada a dados de 652 cidades. Os resultados deste trabalho foram publicados na revista “The New England Journal of Medicine”.

“Este trabalho é extremamente importante pela escala global em que foi conduzido e pelas implicações dos resultados obtidos que exortam as autoridades regionais, nacionais e internacionais a concertar esforços através da implementação de medidas de redução e controlo na fonte de poluentes com reconhecidos efeitos nocivos”, sublinha João Paulo Teixeira, coordenador da Unidade de Investigação do Departamento de Saúde Ambiental do Instituto Ricardo Jorge no Porto.

Por sua vez, Baltazar Nunes considera que “a síntese dos principais resultados evidencia implicações para a salvaguarda do ambiente e, consequentemente, da saúde global”, acrescentando que “foi possível estimar pela primeira vez, de forma concertada, ou seja, aplicando a mesma metodologia, a associação entre a exposição a curto-prazo a níveis de PM10 e PM2.5 e a mortalidade em mais de 600 cidades em todo o mundo”. “Estes resultados reforçam e consolidam assim a relação que tem vindo a ser demonstrada entre a poluição atmosférica e a saúde”, refere ainda Baltazar Nunes.

O trabalho publicado no artigo “Ambient Particulate Air Pollution and Daily Mortality in 652 Cities” foi desenvolvido por uma equipa internacional de investigadores que integram o Multi-City Multi-Country (MCC) Collaborative Research Network, coordenada pela London School of Hygiene and Tropical Medicine. Esta rede internacional de equipas de investigação tem como objetivo produzir evidência epidemiológica sobre a associação entre fatores ambientais, clima e a saúde das populações.

De acordo com os investigadores do Instituto Ricardo Jorge, este consórcio é um exemplo de “mudança de paradigma em relação às colaborações inter e intrainstitucionais abrindo portas ao desenho de outros projetos e novas ferramentas de avaliação, bem como à empolgante consolidação e estreitamento de relações com os mais prestigiados centros de investigação distribuídos por todo o mundo”.

É também o caso do DSA e do DEP, como refere João Paulo Teixeira: “Este trabalho será um dos melhores exemplos de uma colaboração inter-departamentos, ao integrar o conhecimento atual da avaliação e caracterização ambiental (exterior e interior) com a análise epidemiológica, recorrendo a ferramentas de análise estatística de ponta”. Desde 2015, estes dois departamentos do Instituto Ricardo Jorge já publicaram mais de 100 “contribuições” neste domínio.

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