Instituto Ricardo Jorge e colaboradores reconhecidos por trabalho meritório na vacinação contra HPV

06-11-2018

O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge e os seus colaboradores Ângela Pista e Nuno Verdasca, do Departamento de Doenças Infeciosas, receberam um louvor da Ministra da Saúde, Marta Temido, como reconhecimento pelo seu trabalho meritório na vacinação contra infeções por vírus do Papiloma Humano. Os louvores foram anunciados durante a cerimónia pública comemorativa do 10.º aniversário da integração da vacina contra HPV no Programa Nacional de Vacinação, que decorreu, dia 5 de novembro, no Museu dos Coches, em Lisboa.

Na cerimónia, que contou com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, foram também divulgados os resultados da vacinação contra o HPV em Portugal e na Europa. De acordo com os resultados apresentados, nos últimos dez anos, cerca de 750 mil jovens raparigas vacinaram-se contra HPV em Portugal, o que corresponde a 86% da população elegível para a vacina, tornando o país num exemplo internacional da prevenção primária do HPV.

Na sua intervenção, Marcelo Rebelo de Sousa elogiou a “continuidade institucional” no que respeita à política de vacinação contra o HPV, considerando que cada ministro da Saúde “deu no seu período histórico um contributo inestimável para essa prioridade nacional”. O chefe de Estado agradeceu ainda a todos os que contribuíram para o “sucesso de Portugal” na prevenção do HPV nestes dez anos e referiu que “dizem especialistas que talvez faça sentido alargar o rastreio e a vacinação aos homens, e fazê-lo rapidamente”.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, este poderá ser “o grande desafio” a enfrentar agora: “Dizem especialistas, mas o Presidente da República não é suposto ser especialista na matéria”. “Eu pergunto-me se não será de pensarmos numa outra fase. E essa outra fase tem a ver com a noção que temos hoje de que este problema não é só um problema de mulheres, é também um problema de homens, e com um âmbito etário que é um pouco mais vasto do que aquele que se tinha pensado”, acrescentou.

Cerca de 90% dos cancros do colo do útero podem ser prevenidos pela vacinação, mas a doença é ainda uma das principais causas de morte entre jovens mulheres, sendo o segundo tipo de cancro mais comum em mulheres entre os 15 e os 44 anos. A vacina contra HPV é a primeira vacina destinada especificamente ao combate de doenças oncológicas, nomeadamente do cancro do colo do útero.

O cancro do colo do útero é a patologia mais relevante associada à infeção por HPV, especialmente quando não é detetado precocemente, evoluindo para formas invasivas. O HPV é responsável por um elevado número de infeções, que na maioria das vezes são assintomáticas e de regressão espontânea, estimando-se que, na população sexualmente ativa, 50 a 80% dos indivíduos adquirem infeção por HPV nalguma altura da sua vida, apesar de, na grande maioria dos casos, não haver evolução para doença sintomática.

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