Incapacidade auditiva autodeclarada na população portuguesa: comparação entre os Inquéritos Nacionais de Saúde 2005/2006 e 2014

12-06-2019

O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, através do seu Departamento de Epidemiologia, efetuou um estudo com o objetivo de estimar a prevalência de incapacidade auditiva na população portuguesa estratificada por variáveis sociodemográficas em 2014, comparar essas prevalências com os valores obtidos para 2005/2006 e examinar as respetivas diferenças regionais. O trabalho teve por base informação recolhida no âmbito dos Inquéritos Nacionais de Saúde 2005/2006 e 2014.

Os resultados do estudo revelam que a incapacidade auditiva afeta uma proporção considerável da população portuguesa, especialmente nos grupos etários mais elevados. A prevalência de incapacidade auditiva aumentou de 2005/2006 para 2014 e entre a maioria das regiões, sendo mais elevada na região Norte. As menores prevalências registaram-se na R.A. da Madeira, embora esta região, conjuntamente com a R.A. dos Açores, tenha sido a que registou um maior aumento proporcional da prevalência de incapacidade auditiva.

De acordo com os autores do trabalho, “o aumento observado na frequência de incapacidade auditiva pode refletir um eventual maior acesso a cuidados de saúde e não um aumento real na incidência desta incapacidade, uma vez que a presença de morbilidade autodeclarada está fortemente dependente do padrão de acesso aos serviços de saúde, que difere regional, e socialmente”. “A disparidade entre os instrumentos de inquérito utilizados no 4º e no 5º INS podem explicar algumas das diferenças observadas neste trabalho”, referem também os autores.

Estima-se que entre 30% a 46% da população com mais de 65 anos seja afetada por algum tipo de incapacidade auditiva de forma crónica, facto que pode ser explicado pela presbiacusia, o efeito da atividade profissional, o uso de certo tipo de medicamentos e algumas morbilidades, como a diabetes, hipertensão ou reumatismo. A incapacidade auditiva interfere na comunicação, integração e bem-estar dos indivíduos, limitando a nível social e diminuindo a qualidade de vida. Adicionalmente, está descrita uma frequência aumentada de sintomas depressivos, quedas e necessidade precoce de cuidados continuados no caso de idosos com incapacidade auditiva.

“Incapacidade auditiva autodeclarada na população portuguesa: comparação entre os Inquéritos Nacionais de Saúde 2005/2006 e 2014” foi publicado no Boletim Epidemiológico Observações, publicação científica editada pelo Instituto Ricardo Jorge em acesso aberto e que visa contribuir para o conhecimento da saúde da população, os fatores que a influenciam, a decisão e a intervenção em Saúde Pública, assim como a avaliação do seu impacte na população portuguesa. Para consultar o artigo de Ana Rita Torres, Baltazar Nunes, Rita Roquette e Carlos Dias, clique aqui.

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