Dados de vigilância baseados na internet podem fornecer sinais epidemiológicos capazes de detetar tendências temporais de doenças semelhantes à gripe

26-04-2019

Um estudo que contou com a participação do Departamento de Epidemiologia do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge sugere que os dados de vigilância epidemiológica baseados na internet podem fornecer um sinal epidemiológico capaz de detetar as tendências temporais de doenças semelhantes à gripe, sem depender de uma definição de caso específica. O quadro proposto foi capaz de prever com precisão a tendência de Síndrome Gripal (SG) da próxima época, com base nas informações disponíveis dos anos anteriores obtidas através de auto-reporte espontâneo de SG.

Adicionalmente, aplicou-se a mesma ferramenta para deteção de síndromes gastrointestinais. “Quando comparados com os dados tradicionais de vigilância e, apesar da quantidade limitada de dados, a tendência de síndromes gastrointestinais foi detetada com sucesso”, referem os autores deste trabalho, que analisa e interpreta os dados recolhidos pelo Influenzanet, um consórcio europeu que utiliza dados recolhidos pela internet para estimar a incidência da gripe e no qual o Instituto Ricardo Jorge participa através da plataforma nacional Gripenet.

“O resultado é uma ferramenta flexível com a vantagem de poder oferecer previsão e vigilância em tempo quase real, embora sem definição, nem confirmação, de caso de doença”, explica Ricardo Mexia, médico especialista em Saúde Pública e um dos autores deste estudo publicado recentemente e que analisou seis temporadas de influenza, de 2011-2012 a 2016-2017, com uma média de 34 mil participantes por temporada.

“A vigilância epidemiológica da gripe sazonal é realizada por médicos de família, através da Rede de Médicos Sentinela, que compilam relatórios semanais baseados no número de casos clínicos de Síndrome Gripal observados entre os doentes consultados, e, ainda, pela confirmação laboratorial da presença do vírus da gripe, informação de elevada especificidade e detalhe reportada pelo Instituto Ricardo Jorge através do Boletim de Vigilância da Gripe. Recentemente a disponibilidade de novos fluxos de dados levou à investigação de outras abordagens complementares para a vigilância de doenças”, acrescenta.

A plataforma Gripenet foi criada em 2005 e desde 2015 é gerida pelo Instituto Ricardo Jorge, através do seu Departamento de Epidemiologia, contando com cerca de dois mil participantes ativos, que semanalmente, de novembro a abril, registam os seus sintomas por via eletrónica. Esta ferramenta permite assim um registo em tempo quase real da incidência auto reportada de gripe na comunidade.

Para consultar, em acesso aberto, “Unsupervised extraction of epidemic syndromes from participatory influenza surveillance self-reported symptoms”, clique aqui.

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