Covid-19: Utilização de máscaras no setor alimentar

22-05-2020

A segurança alimentar depende de atividades que garantam o cumprimento dos requisitos de boas práticas de higiene e que não afetem a qualidade nutricional dos alimentos. As medidas de higiene para prevenir a contaminação devem ser tomadas em cada uma das etapas da cadeia alimentar (do prado/mar ao prato) e reforçadas no âmbito da pandemia em curso. A utilização de máscaras no setor alimentar pode ser um elemento útil na proteção de contaminações.

Na maioria das vezes, o desconforto provocado pelo uso da máscara leva à utilização incorreta deste equipamento de proteção individual. Por este motivo, a probabilidade de contaminação dos alimentos e das superfícies, pelos manipuladores, nos estabelecimentos onde se manipulam géneros alimentícios pode aumentar, pelo que não é habitualmente recomendado o seu uso.

Contudo, durante a pandemia de COVID-19, a sua utilização poderá ser uma mais valia, de forma a disciplinar hábitos como o de tocar na face, nos olhos, no nariz e na boca, e a consequente contaminação de alimentos e de superfícies, em locais onde manter o distanciamento social recomendado (cerca de 2 metros) é uma dificuldade acrescida. A utilização deste equipamento de proteção individual deverá ser efetuada mediante informação imperativa e clara aos operadores sobre a importância da sua correta utilização.

Nas zonas de confeção, e principalmente nas linhas de empratamento, pela natureza do trabalho, é frequente a necessidade de falar durante o ato de servir e distribuir alimentos ao cliente/utente. Este comportamento facilita a libertação de aerossóis que podem contaminar os alimentos, os utensílios e diretamente os consumidores/manipuladores. O uso de máscaras/viseiras no momento da preparação e confeção de alimentos, e na etapa de distribuição aos clientes/utentes na fase de prevenção da COVID-19, é aconselhável, como barreira física no reforço das medidas de higiene e proteção.

Caso seja necessário trabalhar próximo de outras pessoas, sem uma barreira física entre elas (ex. janelas ou divisórias em acrílico), é também aconselhável o uso de máscara/viseira. Esta medida atenua a transmissão por intermédio de pessoas infetadas e portadores assintomáticos da COVID-19, diminuindo a difusão do coronavírus no ambiente, persuadindo o cumprimento das regras básicas de higiene no decurso da manipulação e preparação de alimentos: não colocar a mão na face e não se assoar ou não provar alimentos.

Adaptação a diferentes utilizações

Importante lembrar a necessidade imperativa de lavar as mãos corretamente, antes e depois de colocar a máscara/viseira. Recorde-se, contudo, que a proteção nunca é total, podendo inclusivamente o seu uso inadequado promover uma contaminação. As máscaras usadas durante a preparação de alimentos são normalmente “máscaras de papel” finas, com uma ou duas camadas e não se destinam a proteger ou impedir a propagação de doenças infeciosas.

A máscara para impedir a propagação de uma infeção é a máscara cirúrgica que é constituída por duas ou três camadas: a mais interna absorve a humidade, a do meio é um filtro e a externa repele a água. Devem ter um mínimo de 95% de eficiência na filtragem de bactérias e ser compostas por tecido liso ou pregueado que permite expandir a máscara para cobrir a área do nariz ao queixo. As máscaras cirúrgicas também protegem o utilizador.

As máscaras têm que ser trocadas quando ficarem húmidas, sujas ou danificadas e após cada utilização. Se em material descartável, devem ser usadas uma única vez e deitadas ao lixo imediatamente após o uso. Se em tecido (após uso único), devem ser acondicionadas num saco para posteriormente serem lavadas/descontaminadas, passadas a ferro e completamente secas antes de voltar a utilizar. O saco que a(s) acondicionou deve ser imediatamente rejeitado.

As viseiras devem ser lavadas com água e sabão e completamente secas antes de voltar a usar. Depois de mexer na máscara/viseira, ou no saco que as acondicionou após remoção, as mãos devem ser lavadas com água e sabão durante pelo menos 20 segundos ou usar desinfetantes à base de álcool a 70%. As máscaras cirúrgicas devem ser reservadas prioritariamente para profissionais de saúde, doentes e seus cuidadores ou para outros grupos da população que as Autoridades de Saúde assim o entendam.

As máscaras de papel e as máscaras caseiras não possuem filtro de microrganismos que proteja o utilizador. Contudo, diminuem a probabilidade do utilizador contaminar o meio ambiente. Nenhuma máscara substitui quaisquer outras medidas no controlo da transmissão da COVID-19, sendo menos eficaz do que lavar corretamente as mãos com água e sabão, ou permanecer longe de outras pessoas, cumprindo o distanciamento social recomendado.

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