Covid-19: Grupo de peritos prepara definição de critérios para seleção de testes rápidos

25-09-2020

O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) está a avaliar a nova geração de testes rápidos de despiste de covid-19 e um grupo de peritos vai definir recomendações e critérios para os selecionar. O anúncio foi feito, dia 25 de setembro, por Raquel Guiomar, responsável pelo Laboratório Nacional de Referência para o Vírus da Gripe e outros Vírus Respiratórios do INSA, durante a conferência de imprensa de atualização dos dados da evolução da pandemia em Portugal.

“Estamos a avaliar uma nova geração destes testes rápidos que permitem detetar o vírus [Sars-Cov-2 que provoca a doença covid-19] também do exsudado da nasofaringe, da amostra respiratória, e é desta forma que o grupo de peritos se vai reunir para fazer as suas recomendações e a avaliação da utilização destes testes”, disse a investigadora do INSA.

Segundo Raquel Guiomar, estes novos testes rápidos apresentam “vantagens”, já que têm uma “baixa complexidade de execução” e permitem “fazer o diagnóstico perto do doente, do caso suspeito”, e obter “um resultado de forma rápida”. No entanto, explicou, os novos testes rápidos “têm critérios muito específicos para a sua seleção e critérios para a sua utilização e são estes critérios de seleção que vão ser oportunamente definidos pelo grupo de peritos”.

Em relação aos critérios de utilização, que “são já bem descritos nas bulas e nas instruções que acompanham os testes”, os testes rápidos devem ser utilizados para “deteção de antigénio para casos suspeitos com sintomas, que tenham ocorrido há menos de sete dias desde o início da infeção”, e “sempre em ambiente onde exista segurança para realizar a colheita do exsudado da nasofaringe”, frisou ainda Raquel Guiomar, citada pela agência Lusa.

Os novos testes rápidos “podem trazer algumas limitações”, que “serão, no fundo, colmatadas pelo encaminhamento das amostras de alguns doentes para a análise pelo método de referência”, o teste de PCR em tempo real, disse. Segundo a responsável do INSA, a nível internacional, a avaliação dos novos testes de diagnóstico rápido “está também a ser feita por parceiros europeus”, acrescentando que “até à data, os dados preliminares indicam que esperaremos uma boa concordância entre os resultados destes testes e os resultados com o teste de referência”.

Raquel Guiomar reconheceu ainda que os testes rápidos de diagnóstico da covid-19 “trazem algumas vantagens para a deteção de casos suspeitos” e que podem permitir uma “rápida implementação de medidas que impeçam as cadeias de transmissão”, mas fez notar que estes testes “devem ser sempre realizados no contexto do historial do doente”, tanto físico como epidemiológico.

“Têm critérios específicos de seleção e utilização. Esta é ainda uma situação que está a ser avaliada pela comissão de avaliação dos testes”. Contudo, a virologista do INSA vincou que eventuais lacunas dos testes rápidos “serão colmatadas pelo encaminhamento para o método de referência”, sem deixar de destacar a expectativa positiva perante a utilização noutros países europeus e que indiciam “uma boa concordância” com o RT-PCR.

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