Comunicado da Direção-Geral da Saúde e do Instituto Ricardo Jorge sobre surto de Doença dos Legionários
06-11-2017
Comunicado conjunto da Diretora-Geral da Saúde, Graça Freitas, e do Presidente do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo, Fernando de Almeida, sobre Doença dos Legionários no Hospital São Francisco Xavier.
Desde o dia 31 de outubro, e até às 20h00 do dia 6 de novembro de 2017, foram diagnosticados 30 casos de Doença dos Legionários com possível ligação epidemiológica ao Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental (CHLO) – Hospital de São Francisco Xavier.
Dos 30 doentes, 1 já teve alta, 2 faleceram no dia 6 de novembro e os restantes encontram-se internados. Os doentes são, na sua maioria, idosos com fatores de risco associados, nomeadamente doenças crónicas graves e hábitos tabágicos.
Após a deteção dos primeiros 3 casos, reuniu-se na Direção-Geral da Saúde (DGS) um dispositivo de saúde pública que permitiu, desde logo, a colheita de amostras em vários pontos dos circuitos de água e dispositivos de refrigeração do Hospital de São Francisco Xavier, prontamente analisadas pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), que revelaram a presença de Legionella.
Pelo princípio da precaução, foram tomadas as medidas adequadas para interromper a possível fonte de transmissão, designadamente choque térmico e químico no sistema de distribuição de água do Hospital e encerramento e tratamento das torres de refrigeração. Na sequência destas medidas foram efetuadas novas análises pelo INSA e pelo Instituto Superior Técnico.
Em simultâneo, o dispositivo assistencial na área de Lisboa e Vale do Tejo foi reorganizado para dar resposta adequada ao diagnóstico e ao tratamento dos doentes.
Está em curso a investigação epidemiológica nas vertentes da vigilância da saúde humana e ambiental, a fim de apurar as circunstâncias que originaram o surto.
A Direção-Geral da Saúde, o Departamento de Saúde Pública da ARS de Lisboa e Vale do Tejo e o Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH), em articulação com os serviços de instalações e equipamentos do CHLO, procederam a vistorias técnicas aos equipamentos e às estruturas potencialmente associados a fontes de transmissão. Estes trabalhos vão manter-se durante os próximos dias.
Em simultâneo, as ARS de todo o país, através dos Departamentos de Saúde Pública, procedem ao levantamento das condições estruturais e processuais das unidades prestadoras de cuidados de saúde que integram o Serviço Nacional de Saúde – SNS (ACES, ULS, Centros Hospitalares e Hospitais), no âmbito da avaliação e gestão do risco.
Paralelamente, o INSA e o SUCH estão a desenvolver um Programa de Intervenção Operacional de auditoria técnica de apoio a todas as unidades hospitalares do SNS.
Por indicação do Ministro da Saúde, está em curso a elaboração de um relatório conjunto ARSLVT, DGS e INSA para esclarecimento da cadeia de acontecimentos que conduziram ao surto. Tendo em vista o apuramento do elo de ligação entre a componente ambiental e a saúde humana, é necessário o exame cultural das amostras (ambientais e humanas) e a subsequente avaliação genómica. Tecnicamente estes procedimentos exigem, pelo menos, duas semanas.
A Direção-Geral da Saúde sublinha que a doença se transmite através da inalação de aerossóis contaminados com a bactéria e não através da ingestão de água. A infeção, apesar de poder ser grave, tem tratamento efetivo. As medidas de segurança adotadas prevêem-se suficientes para interrupção da transmissão e controlo do surto, e vão continuar a ser monitorizadas.
As entidades envolvidas continuam a acompanhar a evolução da situação, cuja informação será atualizada periodicamente.
Para mais informações contacte SNS 24 – 808 24 24 24.
Graça Freitas
Diretora-Geral da Saúde
Fernando de Almeida
Presidente do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge