Cerca de 1,7 milhões de pessoas desenvolvem anualmente uma infeção fúngica em Portugal

10-03-2017

Cerca de 1 milhão e 700 mil pessoas desenvolvem anualmente uma infeção fúngica em Portugal. Esta é uma das principais conclusões de um estudo do Departamento de Doenças Infeciosas do Instituto Ricardo Jorge que acaba de ser publicado, no âmbito de um projeto internacional que tem como objetivo estimar a incidência das infeções fúngicas a nível mundial.

“Como não são doenças de declaração obrigatória, foram utilizados dados publicados e outros estimados. Muitos destes dados foram baseados em diferentes populações de risco de forma a conseguir estimar a incidência ou prevalência das infeções fúngicas em Portugal”, explica Raquel Sabino, uma das autoras deste estudo e representante portuguesa da rede Fundo Global de Ação para Infeções Fúngicas (GAFFI).

De acordo com este trabalho do Instituto Ricardo Jorge, do total de pessoas afetadas por uma infeção fúngica em Portugal, 1,5 milhões desenvolvem uma infeção fúngica cutânea. A segunda infeção fúngica mais frequente é a candidíase vaginal, afetando anualmente mais de 150 mil mulheres com idades compreendidas entre os 15 e os 50 anos.

Outras das conclusões deste estudo, indica que, “quando comparado com outros estudos europeus, Portugal apresenta a mais elevada incidência anual de meningite criptococica, mas uma das mais baixas incidências de pneumonia por Pneumocystis”. “Uma vez que a asma afeta cerca de 10% da população adulta, estima-se que cerca de 17 mil pessoas sofram de asma severa por sensibilização fúngica e 13 mil sofram de aspergilose broncopulmonar alérgica”, referem os autores deste estudo.

Publicado em conjunto com parceiros nacionais e internacionais, “Serious fungal infections in Portugal” integra o número temático da revista European Journal of Clinical Microbiology & Infectious Diseases, onde são apresentadas estimativas da incidência de infeções fúngicas em 14 países da Ásia, Américas, Europa e África do Norte. Estas estimativas apontam para 832 milhões o número de pessoas afetadas por doenças fúngicas graves.

Ainda segundo Raquel Sabino, a metodologia usada neste estudo “tem vindo a ser aplicada em mais 65 países por todo o mundo, cobrindo cerca de 5,6 mil milhões de pessoas até agora”. As estimativas globais mostram que mais de 300 milhões de pessoas são afetadas por infeções fúngicas, afetando entre 1,8-3% da população de cada país. Estima-se ainda que ocorram anualmente mais de 1 milhão e meio de mortes causadas por infeção fúngica grave.

“Este e outros estudos que possamos vir a fazer como forma de alerta e sensibilização são de extrema importância, uma vez que as infeções fúngicas são ainda muito negligenciadas e são responsáveis, anualmente, por mais mortes que, por exemplo, a tuberculose. O conhecimento da epidemiologia das infeções fúngicas em todo o mundo, uma maior sensibilização dos profissionais de saúde para este tipo de infeções e a disponibilização de antifúngicos para o tratamento das infeções fúngicas são algumas das medidas essenciais para reduzir a incidência das infeções fúngicas, sendo que em muitos países desfavorecidos os antifúngicos ainda não estejam disponíveis”, conclui a investigadora.

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