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História
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Francisco Cambournac

Médico epidemiologista e tropicalista, Francisco José Carrasqueiro Cambournac (1903-1994) destacou-se sobretudo no campo da Malariologia, área em que deu um grande contributo à medicina portuguesa. Além de membro-fundador e director do Instituto de Malariologia de Águas de Moura (1939-1954), Francisco Cambournac foi ainda director da Organização Mundial da Saúde para a região africana durante dez anos (OMS África), tendo recebido o Prémio Léon Bernard (1978).

Licenciado em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Francisco Cambournac fez a sua formação hospitalar e iniciou a sua carreira clínica no Hospital de Santa Marta, em Lisboa, tendo posteriormente concluído o curso da antiga Escola de Medicina Tropical.

Decidido a especializar-se em doenças tropicais, em particular na área de Malariologia, frequentou o curso de Malariologia da Faculdade de Medicina de Paris, fez estágios práticos em Itália e na Jugoslávia, nomeadamente na Escola Superior de Malariologia e na Estação Experimental para a luta anti-malária de Roma, e no Instituto de Higiene de Skoplje.  Frequentou ainda o Curso de Higiene e Medicina Tropical no Instituto de Medicina Tropical de Hamburgo e realizou estágios no Instituto Pasteur de Paris, no Instituto Colonial de Amesterdão, na Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, no Ross Institute e na Secção de Malarioterapia do Horton Mental Hospital de Epsom.

Médico e investigador
Médico auxiliar da Estação Experimental de Combate ao Sezonismo de Benavente, Francisco Cambournac começou, em 1931, a sua carreira no campo da Medicina Tropical e, em particular, da Malariologia. Posteriormente deu seguimento aos seus trabalhos na Estação Anti-sezonática de Alcácer do Sal.

Em 1933, como director do laboratório instalado na Estação de Benavente, Cambournac participou no Inquérito para determinação das zonas de endemia sezonática, suas características e estabelecimento de um plano de combate, que a Direcção-Geral da Saúde em colaboração com a Fundação Rockefeller realizou em todo o continente português. Em virtude dos trabalhos realizados foi convidado a ingressar na Fundação como field-director de uma unidade de investigação sobre sezonismo que se previa criar em Portugal, tendo a partir de Março de 1934 iniciado os seus estudos na «Estação para o Estudo do Sezonismo», que a Fundação Rockeller fundava na mesma data em Águas de Moura.

Em 1937, foi responsável pela fiscalização sanitária das obras a cargo da Junta Autónoma das Obras de Hidráulica Agrícola. A sua actividade ficou ligada sobretudo à defesa e profilaxia anti-malárica. Neste mesmo ano, Francisco Cambournac integrou a comissão responsável pela elaboração das bases para a nova Lei sobre a cultura do arroz, onde colaborou no estudo de todas as regiões orizícolas de Portugal numa perspectiva higiénico-sanitário e agrícola. Ainda sobre esta matéria, apresentou as bases para a organização dos Serviços Anti-Sezonáticos e pronunciou-se sobre o diploma que regulava a cultura do arroz sob o aspecto higiénico-sanitário e organizava os Serviços Anti-Sezonáticos, posteriormente criados sob a direcção de Fausto Landeiro. No seguimento destes trabalhos, em 1938 representou Portugal no III Congresso de Medicina Tropical e Malária, que teve lugar em Amesterdão e no qual foi responsável pela vice-presidência da secção da parte de Medicina Tropical do congresso onde se discutiram trabalhos sobre filárias.

Quando nesse mesmo ano, a Fundação Rockefeller em colaboração com a Direcção-Geral da Saúde construiu em Águas de Moura o Instituto de Malariologia, para substituição da Estação para o Estudo do Sezonismo e destinado à investigação e ao ensino da Malariologia, Francisco Cambournac foi nomeado Assistant Director da nova instituição, dirigida por Roll Hill.
Em Dezembro de 1939, foi nomeado Director do Instituto de Malariologia, pela Fundação e por despacho do Ministro do Interior, alcançando assim um lugar de prestígio no âmbito da investigação e do ensino da Malariologia. Ali se realizaram numerosos estudos sobre a distribuição dos Anopheles (mosquitos vectores da malária) e da endemia sezonática em todo o País, bem como estudos sobre a epidemiologia da malária, os quais contribuíram para a erradicação da malária em Portugal (terá sido, sobretudo, a partir do trabalho de Francisco Cambournac publicado em 1942, Sobre a epidemialogia no sezonismo em Portugal, que se desenhou o plano de campanha anti-malárica que levou à erradicação da doença). O nome de Francisco Cambournac encontra-se igualmente ligado à erradicação do paludismo em Cabo Verde.

Ainda no campo das doenças infecciosas, Cambournac efectuou estudos sobre a epidemiologia da febre amarela, da oncocercose, da cólera (tendo contribuído para a eliminação de dois surtos desta doença em Cabo Verde), e de uma maneira geral das grandes endemias tropicais, de que é exemplo a criação e direcção da Missão de Prospecção de Endemias em Angola, posteriormente transformada em Instituto de Investigação Médica.

Por convite da Organização Mundial da Saúde (OMS), foi nomeado seu primeiro consultor para o continente africano, tendo sido responsável pela primeira conferência que a OMS realizou em África, em 1950. Neste âmbito, preparou o primeiro relatório da OMS sobre o continente africano, intitulado Le Paludisme en Afrique Equatoriale. A ligação de Francisco Cambournac à OMS data de 1946, altura em que representou Portugal na Conferência Internacional de Saúde realizada em Nova Iorque pela Organização das Nações Unidas (ONU), tendo sido o primeiro português a participar numa reunião da ONU. Nesta instituição, Cambournac desempenhou um papel activo na criação da agência das Nações Unidas que esteve na origem da OMS.

A partir de 1954, exerceu o cargo de Director Regional da OMS para África. Durante os dez anos em que esteve neste cargo, reorganizou completamente o escritório da OMS para aquela região, fazendo com que o número de projectos, bolsas e pessoal aumentasse imenso sob a sua direcção. Nas suas funções, incluía-se a organização da medicina preventiva e curativa, a promoção da saúde, o ensino e a formação profissional do pessoal médico e auxiliar, e a organização de conferências, colóquios e simpósios.

Professor de Saúde Pública
Outro interesse de Francisco Cambournac era a formação em Malariologia, tanto no ensino médico, como na preparação de profissionais técnicos. Tendo frequentado vários cursos de higiene e medicina tropical nas mais importantes Escolas da Europa (Paris, Roma, Amesterdão, Londres), facilmente teve acesso à docência na antiga Escola de Medicina Tropical de Lisboa, Instituto de Medicina Tropical, onde iniciou a sua actividade.

No Instituto de Malariologia, organizou e dirigiu, em 1939, o primeiro curso de Malariologia em Portugal, onde foi responsável pelas cadeiras de Hematologia, Protozoologia especial, Entomologia, Epidemiologia, Profilaxia, Higiene e Climatologia. Teve igualmente a seu cargo o Curso de Técnica de Profilaxia Sezonática, para Engenheiros Agrónomos. Foi neste Instituto que se formou a maioria dos malariologistas que trabalharam nos Serviços Anti-Sezonáticos e depois nos Serviços de Higiene Rural e defesa Anti-Sezonática, assim como muitos especialistas que ocuparam lugares de destaque nesta área na Europa e na OMS, sendo parte destes cursos organizados a nível internacional, a pedido da OMS.

Em 1942, iniciou funções no Instituto de Medicina Tropical, como professor auxiliar da cadeira Higiene, Climatologia e Geografia Médica, da qual passou a ser professor titular em 1944. Em 1964, Francisco Cambournac foi nomeado director do Instituto de Medicina Tropical, cargo que já havia exercido. Pouco tempo depois, presidiu a comissão responsável pela organização da Escola Nacional de Saúde Pública e de Medicina Tropical, que dirigiu entre 1967 e 1972. A partir deste ano, passou a ser director do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, sendo-lhe atribuído a regência e direcção do recém-criado Departamento de Saúde Pública, funções que exerceu até Dezembro de 1973.

Em reconhecimento de uma vida dedicada à medicina tropical, com mais de 170 ensaios sobre epidemiologia, parasitologia, entomologia, saúde pública, nutrição, saúde educacional, malária, doença do sono, febre amarela, entre outras áreas, foi atribuído a Francisco Cambournac, em 1978, o Prémio Léon Bernard, distinção criada, em 1937, pela antiga Sociedade das Nações Unidas para premiar trabalhos no domínio da Saúde Pública.

Bibliografia seleccionada (PDF – 32 KB)

José Alberto de Faria

José Alberto de Faria, médico e higienista, nascido em Lisboa a 13 de Agosto de 1888.

Foi aluno do Colégio Militar. Formou-se em Medicina na Escola Médico-cirúrgica de Lisboa, com a tese Tuberculina no uso clínico, em 1911. Médico dos Hospitais Civis, por concurso em 1913, exerceu larga clínica em Lisboa.

Cedo entrou para os Serviços de Saúde Pública, onde fez uma carreira rápida e brilhante. Subdelegado de saúde de Lisboa, em 1914, é chamado para fazer serviço na Direcção-Geral de Saúde, em virtude do aparecimento de alguns casos de peste bubónica em 1916.

É nomeado inspector-chefe de Epidemias e Profilaxia de Moléstias Infecciosas, a 12-10-1926. Sobe a Director-Geral de Saúde, por aposentação do Professor Ricardo Jorge, a 20-12-1928.

Preocupado com a preparação de técnicos sanitários, mandou ao estrangeiro, com bolsas de estudo, em colaboração com a Fundação Rockefeller, médicos, engenheiros, químicos e visitadoras. Iniciou entre nós a visitação sanitária e criou os serviços anti-sezonáticos, com o Instituto de Malariologia, ainda em colaboração com a Fundação Rockefeller. Deu extraordinário impulso aos serviços de abastecimento de águas potáveis e às obras de esgotos das cidades e vilas. Como presidente da extinta comissão de Abastecimento de Águas à cidade de Lisboa, deve-se-lhe a duplicação de alguns sifões do aqueduto do Alviela e a instituição de cloragem das águas.

Esboçou a higiene social, fundando e auxiliando dispensários. Merecem-lhe especial atenção as relações da Higiene com a Assistência. Instituiu os primeiros Centros de Ssaúde, base de futuras reformas sobre medicina rural.

No campo da epidemiologia – a sua especialidade – esteve em todas as epidemias dos últimos decénios: na pandemia gripal, que assolou o país em 1918, no tifo exantemático, do Douro, às Beiras, nas infecções tífica, por vilas e aldeias. Foi professor do Curso de Hidrologia de Lisboa. Preside (1944) ao Conselho Superior de Higiene, à Junta Sanitária de Águas e ao Instituto Maternal.

É delegado de Portugal nas Organizações Sanitárias Internacionais e nas conferências e congressos respeitantes à Higiene Pública e Medicina Preventiva. Escreveu, além de colaboração em revistas científicas e profissionais, os seguintes trabalhos: Administração sanitária, O papel do médico dos municípios e do Estado na Luta contra as doenças infecciosas, Sobre o ensino sanitário, Sobre o tifo exantemático, Sobre os tratamentos fundamentais da tuberculose. A medicina social nas colectividades militares e Engenharia na salubridade.

Em os Preceitos sanitários relata a sua viagem de estudo das organizações sanitárias, e particularmente dos institutos de higiene e formações de higiene rural, na Polónia, Áustria, Hungria e Jugoslávia. Com o Dr. Rolla Hill, delegado em Portugal da Fundação Rockefeller, deu a público uma versão portuguesa (Exemplos de sanidade) do livro americano Cross – Sections of rural health progress, de H. S. Mustard M. D.

In Grande enciclopédia portuguesa e brasileira. Lisboa ; Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia. Vol. 10 (1944), p. 918-919.

   

Laura Ayres

Licenciada em Medicina em 1946, com distinção, Laura Guilhermina Martins Ayres (1922-1992) iniciou a sua carreira nos hospitais e foi precisamente durante o Internato Geral e, mais tarde, no Internato Complementar que se interessou pelo estudo das doenças transmissíveis, então designadas por “doenças infecto-contagiosas”.

Após a sua formação nos Serviços Hospitalares, e já no campo da Microbiologia, realizou, entre 1950 e 1953, um estágio no Instituto Superior de Higiene (ISH), anterior designação do Instituto Nacional de Saúde. Nele desenvolveu estudos sobre o vírus da gripe e outras patologias respiratórias, chegando, mesmo, a montar um sector de diagnóstico da “tosse convulsa” que serviu de apoio aos trabalhos de investigação epidemiológica, então realizados por José Cutileiro, no Hospital Curry Cabral e no Centro de Saúde de Lisboa. Nesta fase foi determinante o incentivo dos seus primeiros mestres, José Cutileiro e, sobretudo, Arnaldo Sampaio, responsável pelo Laboratório de Bacteriologia e pelo Centro Nacional da Gripe, do ISH.

Investigadora em Virologia
Em 1955, foi convidada por Arnaldo Sampaio a aplicar os conhecimentos de virologista (entretanto adquiridos em Inglaterra) no ISH, que se encontrava num período de grande actividade em duas grandes áreas científicas, as Doenças Transmissíveis, com Arnaldo Sampaio, e a Nutrição, com Gonçalves Ferreira.

Quando iniciou a sua carreira de virologista no ISH, a Virologia era praticamente inexistente, no ISH, tornando-se urgente o alargamento do estudo das doenças virais em Portugal. Coube à Professora Laura Ayres promover a organização de um sector de Virologia, a incluir no Laboratório de Bacteriologia Sanitária existente no Instituto, instalado no antigo edifício do Campo de Santana.

Partindo de uma pequena unidade, o Centro Nacional da Gripe, Laura Ayres conseguiu desenvolver o Laboratório de Virologia, com autonomia a partir de 1971, e creditá-lo junto dos Serviços Hospitalares e impô-lo como um dos melhores laboratórios de Virologia Clínica e Epidemiológica, com várias secções diferenciadas. Em 1985, começou a perspectivar a criação e desenvolvimento do Centro de Vigilância Epidemiológica das Doenças Transmissíveis, o que se veio a efectivar nesse mesmo ano. O trabalho de Laura Ayres foi também decisivo na formação de técnicos na área da Virologia.

Ao longo da sua vida profissional manteve sempre o interesse pela investigação em Saúde dirigida para o conhecimento das condições do País no campo das doenças infecciosas, na vertente da investigação epidemiológica, em particular das doenças virais evitáveis pela vacinação e outras patologias com elevado potencial epidémico (gripe, poliomielite, rubéola, malformações congénitas, tracoma).

Destaque ainda para o facto de ter coordenado o primeiro Inquérito Serológico Nacional para patologias de natureza infecciosas, nomeadamente as evitáveis pela vacinação, estudo que foi galardoado em 1983 com o Prémio Ricardo Jorge de Saúde Pública e que permitiu traçar o perfil de 19 infecções, à data importantes problemas de Saúde Pública no nosso País.

A partir de 1983, Laura Ayres participou directamente na direcção do Instituto Nacional de Saúde, na qualidade de subdirectora e por convite do então recente director, Aloísio Coelho, procurando implementar uma gestão moderna e eficaz e incrementando as actividades de investigação e de formação.

Paralelamente à carreira científica, Laura Ayres desenvolveu ainda uma importante carreira académica, tendo, por último, colaborado como docente coordenadora da cadeira de Microbiologia Sanitária, na Escola Nacional de Saúde Pública.

Luta contra a SIDA
Além do trabalho pioneiro que desenvolveu na área da Virologia, Laura Ayres foi também a “voz e a figura” da luta contra a SIDA em Portugal, estando na origem da Comissão Nacional de Luta contra a SIDA e na criação do Laboratório de Referência da SIDA do INSA, uma das primeiras instituições portuguesas a desenvolver o diagnóstico laboratorial da infecção VIH/SIDA.

Graças aos seus dotes de grande comunicadora, Laura Ayres destacou-se também na forma como soube utilizar os meios de comunicação social na prevenção das doenças transmissíveis, em particular da SIDA, contribuindo para uma efectiva promoção da saúde na população.

Através da sua acção, alertou para a necessidade de mudar comportamentos e para a importância de alterar o discurso de grupos de risco para comportamentos de risco, à semelhança das políticas de saúde e sociais internacionais nesta área.

O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (Instituto Ricardo Jorge) foi fundado em 1899, então como Instituto Central de Higiene, com o objectivo de conceder “habilitação técnica e profissional do exercício sanitário”, no sentido de estruturar e pôr em funcionamento um mecanismo de defesa da saúde da população.

A decisão de criar o Instituto surge como necessidade de combater um surto de peste bubónica que, nesse ano, atingiu a cidade do Porto. A proposta de criação do Instituto, da autoria do médico e humanista Ricardo Jorge, é, no entanto, anterior a este acontecimento.

Em 1929, em homenagem ao seu fundador, o Instituto Ricardo Jorge passou a chamar-se Instituto Central de Higiene Dr. Ricardo Jorge, nome que viria a manter até à reorganização dos Serviços de Assistência Social, em 1945, altura em que passou a designar-se Instituto Superior de Higiene.

Em 1971, depois de uma importante reforma global dos Serviços de Saúde, o Instituto Ricardo Jorge recebeu a designação que actualmente ostenta, com múltiplas competências e novas atribuições, destacando-se a investigação aplicada, a formação pós-graduada e os serviços à comunidade, como laboratório nacional de referência.

Para além do fundador, o Instituto Ricardo Jorge já foi dirigido por várias personalidades da Saúde Pública em Portugal.

  • 1902-1926: Ricardo Jorge;
  • 1926-1945: O Instituto (então Central de Higiene) esteve na dependência da Direcção-Geral de Saúde do Ministério do Interior e exclusivamente dedicado ao ensino;
  • 1946-1961: Fernando da Silva Correia;
  • 1963-1966: Bernardino Álvaro Vicente de Pinho;
  • 1967-1968: 1972-1974 e 1976-1982: Francisco António Gonçalves Ferreira;
  • 1968-1972: Arnaldo Sampaio;
  • 1974-1976: Comissão Instaladora constituída por Aloísio Coelho, Carlos Silveira, Jorge de Sousa Costa, José Morais, Maria dos Anjos Catry e Maria Vitória Vaz Pato;
  • 1982-1993: Aloísio Coelho;
  • 1993-1997: José Bandeira Costa;
  • 1997-1999: José Luís Castanheira;
  • 1999-2000: José Carlos Marinho Falcão;
  • 2000-2004: João Manuel Lavinha;
  • 2004-2006: Fernando José Ramos Lopes de Almeida;
  • 2006-2014: José Pereira Miguel;
  • Desde 01-08-2014: Fernando José Ramos Lopes de Almeida
Ricardo de Almeida Jorge

“Um serviço central de saúde não pode rastejar por uma simples estância burocrática. Tem de ser a sede de uma plêiade de  funcionários especializados e treinados. Tem de animá-lo o espírito da renovação científica e técnica, para a qual contribui a seu turno com os resultados da sua experiência e investigação; é um centro de acção e de produção de ciência aplicada.”

(Ricardo Jorge, “A propósito de Pasteur”, 1923)

 

Ricardo de Almeida Jorge nasceu na cidade do Porto, a 9 de Maio de 1858, e faleceu em Lisboa, a 29 de Julho de 1939.

Em 1874, ingressa na Escola Médico-Cirúrgica do Porto, na qual viria a formar-se, cinco anos depois, com as mais altas classificações. Na sua dissertação de licenciatura, “O nervosismo no Passado”, aborda a história da Neurologia, um termo que nessa altura ainda não havia sido estatuído. Tinha então 21 anos.

Inicia a sua vida profissional, em 1880, como professor na Escola Médico-Cirúrgica do Porto e faz várias deslocações a Estrasburgo e a Paris (onde assiste às lições de Charcot), procurando nos hospitais locais uma aprendizagem impossível de adquirir em Portugal, onde o saber neurológico era ainda incipiente.

Ricardo Jorge com Balbino Rego, Sousa Júnior e peritos – 1899O ano de 1884 marca uma viragem nas suas preocupações de estudo. Abandona a Neurologia e começa a dedicar-se à “Higiene Social Aplicada à Nação Portuguesa”, tema de uma série de conferências, que lhe granjeiam um enorme prestígio em todo o país.

Aos 27 anos, elabora e apresenta no Conselho Superior Público (do qual fazia parte como delegado do Porto), um relatório sobre o ensino médico em Portugal, que considera obsoleto face às orientações modernas que vira praticadas noutros países europeus. Este relatório viria depois a servir de base ao Regulamento Geral de Saúde de 1901.

Entre 1891-1899, é nomeado médico municipal do Porto, ficando também responsável pelo Laboratório Municipal de Bacteriologia. Torna-se, em 1895, professor titular da cadeira de Higiene e Medicina Legal da Escola de Medicina do Porto. Este facto, juntamente com a publicação das suas conferências de 1884, vai consolidar o seu prestígio como higienista.

Mas é em Junho de 1899 que se dá a sua consagração em definitivo a nível nacional e a projecção internacional, quando, sem hesitações, chega à prova “clínica e epidemiológica” da peste bubónica que assolou a cidade do Porto, sendo esta depois confirmada “bacteriologicamente” por ele próprio e Câmara Pestana.

No entanto, as operações profilácticas que liderou no sentido de eliminar a peste, como a evacuação de casas e o isolamento e desinfecção de domicílios, entre outras, desencadearam a fúria popular que incentivada por grupos políticos, obrigam Ricardo Jorge a abandonar a cidade.

Em Outubro de 1899, é transferido para Lisboa, sendo nomeado Inspector-Geral de Saúde e a seguir professor de Higiene da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa. Em 1903, é incumbido de organizar e dirigir o Instituto Central de Higiene, que passaria a ter o seu nome a partir de 1929.

Ricardo Jorge com Albert Calmet, Ferrand, Câmara Pestana, entre outros – 1899Participa em iniciativas como a organização da Assistência Nacional Contra a Tuberculose e o Congresso Internacional de Medicina de 1906, no qual presidiu à Secção de Higiene e Epidemiologia. Colabora também na reforma do ensino médico de 1911, e em 1912 inicia os seus trabalhos no Office Internacional de Higiene, em Paris, onde haveria de se distinguir.

Nos anos de 1914 e 1915 preside à Sociedade das Ciências Médicas e nos anos seguintes visita formações sanitárias na zona de guerra em França. Organiza depois a luta contra a epidemia de gripe pneumónica, do tifo exantemático, varíola e difteria, que surgiram como consequência das deficientes condições sanitárias do pós-guerra.

É escolhido para representar Portugal no Comité de Higiene da Sociedade das Nações e, em 1929, é nomeado Presidente do Conselho Técnico Superior de Higiene. Mesmo nos últimos anos da sua vida mantém uma intensa actividade, intervindo pela última vez numa reunião do Office Internacional de Higiene, três meses antes de morrer.

Os interesses de Ricardo Jorge não se limitaram, no entanto, ao campo da medicina e as suas preocupações revelam um espírito versátil e curioso de verdadeiro humanista. A sua vasta obra inclui, por exemplo, publicações versando arte, literatura, história e política.

 

Bibliografia de Ricardo Jorge

Bibliografia Ricardiana digital

Diretores

Fernando da Silva Correia

1946 – 1961

Bernardino Álvaro Vicente de Pinho

1963 – 1966

Francisco António Gonçalves Ferreira

1967 – 1974 e 1976 – 1982

António Arnaldo de Carvalho Sampaio

1968 – 1972

Aloísio José Moreira Coelho

1982 – 1993

José dos Santos Bandeira da Costa

1993 – 1997

José Luís Castanheira

1997 – 1999

José Carlos Figueiras Marinho Falcão

1999 – 2000

João Manuel Lopes Borges Lavinha

2000 – 2004

Fernando José Ramos Lopes de Almeida

2004 – 2006

José Pereira Miguel

2006 – 2014

Fernando José Ramos Lopes de Almeida

Desde 01-08-2014