Artigo: A rotulagem nutricional simplificada na avaliação de cereais de pequeno-almoço

09-09-2020

O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, através do seu Departamento de Alimentação e Nutrição, realizou um estudo com o objetivo de classificar a qualidade nutricional de cereais de pequeno-almoço pela aplicação de dois sistemas de rotulagem FoP: o Semáforo nutricional e o Nutri-Score. Embora os cereais de pequeno-almoço possam ser geralmente considerados uma escolha alimentar saudável, o elevado teor de açúcares presente em alguns produtos disponíveis no mercado português pode comprometer a sua adequação a uma alimentação saudável.

Com a aplicação do semáforo nutricional aos 50 cereais de pequeno-almoço em estudo, observou-se que apenas um dos cereais foi classificado com quatro verdes em simultâneo (melhor classificação obtida) e que apenas dois cereais foram classificados com dois vermelhos em simultâneo (pior classificação obtida). No entanto, foi atribuída a cor vermelha ao teor de açúcares a 56% dos cereais (> 22,5 g/100 g), bem como a 86% dos cereais infantis.

Relativamente à aplicação do sistema Nutri-Score, a cor amarela foi atribuída à maioria dos cereais de pequeno-almoço avaliados (60%), bem como a 57% dos cereais infantis e a 64% dos cereais não infantis. A nenhum dos produtos avaliados foi atribuída a cor Laranja-escuro, categoria de menor qualidade nutricional. Dos 50 cereais de pequeno-almoço analisados neste trabalho, apenas 18% foram considerados saudáveis.

A existência de um sistema de informação nutricional front-of-pack (FoP) foi uma das iniciativas propostas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), com o intuito de melhorar as escolhas alimentares e, consequentemente, a saúde da população. A rotulagem nutricional surge como uma importante ferramenta que dá a conhecer aos consumidores o conteúdo nutricional dos alimentos, permitindo-lhes realizar escolhas mais conscientes, informadas e saudáveis.

“A rotulagem nutricional simplificada na avaliação de cereais de pequeno-almoço” foi publicado no Boletim Epidemiológico Observações, publicação científica periódica editada pelo Instituto Ricardo Jorge em acesso aberto. Para consultar o artigo de Filipa Matias, Mariana Santos, Ricardo Assunção e Isabel Castanheira, clique aqui.

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